Ibovespa: fluxo estrangeiro e valuation relativo

O Ibovespa fechou a primeira semana de junho em 138.420 pontos, valorização de 2,1% no mês, apesar de um consenso de recomendação que permanece majoritariamente neutro. A explicação está no fluxo: investidores estrangeiros injetaram R$ 8,2 bilhões na B3 em maio, concentrando compras em Petrobras, Vale e bancos — os mesmos nomes que lideram o peso do índice.

Essa dinâmica cria uma aparente contradição: o índice sobe enquanto a média de preço-alvo dos analistas sugere upside limitado. Nossa leitura é que o movimento reflete carry trade e busca por dividend yield em um ambiente global de juros elevados, não necessariamente reprecificação fundamentalista de todo o mercado.

Empresas de menor liquidez e setores como tecnologia e saúde suplementar ficaram para trás, ampliando a dispersão de valuation dentro do índice. Para o segundo semestre, monitoramos se o fluxo estrangeiro se sustenta caso o Federal Reserve adie cortes de juros nos Estados Unidos.


Vale: cenário-base para minério de ferro no segundo semestre

A Vale entra em junho com ações negociando a múltiplos comprimidos em relação ao histórico recente. O minério de ferro de referência (62% Fe) cotado em US$ 98 por tonelada sustenta geração de caixa, mas abaixo dos US$ 110 que embasavam projeções mais otimistas de início de ano.

O consenso de analistas revisou produção de 2026 para 318 milhões de toneladas, levemente abaixo da guidance da companhia. A demanda chinesa por aço permanece o principal driver: dados de maio mostraram produção de aço bruto estável, mas com estoques elevados em portos — sinal de cautela para o segundo semestre.

Nosso cenário-base assume minério entre US$ 90 e US$ 105, com dividend yield projetado de 8–10%. Riscos de alta incluem pacote de estímulos na China; riscos de baixa envolvem desaceleração do setor imobiliário chinês e aumento de oferta de minério de baixo custo da Austrália.